Croácia – Um espetáculo de cores

“Better to see something once than hear about it a thousand times!”

A partir do momento em que decidimos que íamos para a Croácia, duas horas antes do autocarro partir, sabíamos que ia ser uma viagem cheia de surpresas, imprevistos e loucuras!

Depois de um atraso de uma hora e meia do autocarro acabamos por ter de correr para a estação para não o perdermos.

Quando chegarmos a Zagreb descobrimos que tínhamos de andar uma hora até ao hostel (Whole Wide World Hostel)… e quando lá chegámos disseram-nos que tínhamos de dormir em quartos diferentes porque estavam cheios, sendo que um dos quartos estava cheio (só de rapazes com tudo menos bom aspeto)!

Cheias de um medo que não nos deixou pregar olho, passou a noite e partimos em direção a Korenica, perto dos Plitvice Lakes que era o nosso destino final!

Quando saímos do autocarro deparámo-nos com o que normalmente apelidamos de “parvónia”, nada se passava naquela terra, mas tudo se passava na nossa cabeça: “onde é que viemos parar?”, “aposto que o hostel é uma fraude”, “isto não vai correr nada bem”!

Com a mochila às costas e o medo a espreitar de dentro dela andámos até ao hostel (Falling Lakes Hostel), que estava vazio por sinal, mas fomos encontrar, não um pardieiro, mas uma pequena casa que dá abrigo a backpackers de todo o mundo e quando digo todo o mundo, só não encontramos alguém das Antárticas e do continente africano, porque de resto todos estavam lá representados de alguma forma!

Depois de uma tentativa falhada de percorrer um trilho com o objetivo de ver o pôr do sol no cimo da montanha, voltamos ao hostel e instantaneamente travámos amizade com uma backpacker australiana, Jamime, que pouco tem na vida e nos ofereceu tudo o que tinha, dois pacotes de pipocas salgadas cheios de uma generosidade e genuinidade incomparáveis! Muitas pipocas, guitarradas e gargalhadas depois chegou o tão desejado descanso e desta vez sem medo algum, esse ficou pelas ruas vazias de Korenica!

 

Eram OITO da manhã quando entramos na carrinha em direção aos Lagos… o frio cortava a cara e a ansiedade pairava por cima das nossas cabeças!

Ao chegarmos à entrada e depois de um café para aquecer o corpo frio descemos até aos lagos e o que vimos superou as expectativas, água de um azul nunca antes visto pelos nossos olhos e árvores de todas as cores.

Como chegámos cedo fizémos todo o percurso sem ver quase ninguém, o que foi ainda melhor porque tirámos fotografias a todas as árvores, metros quadrados de água e centímetros de céu. As paisagens são, literalmente, de cortar a respiração, ficar a olhar para aquela obra da mãe natureza e pensar “Como é que isto é possível?”.

Quando voltamos a fazer o percurso inverso, tivemos o azar de dar de caras com todos os turistas que acham que basta ir as nove da manhã e que fazem filas intermináveis porque TODOS querem tirar fotografias com aquela cascata, ou com o lago por trás e com aquele tronco de árvore mesmo fotogénico (também tirei, claro).

Como só tivémos tempo de ir aos Upper Lakes, porque tínhamos e apanhar o autocarro de volta para Zagreb, ao voltarmos para baixo decidimos ficar ao sol, almoçar e simplesmnte estar, como já percebemos que gostamos tanto! Enquanto eu fiquei a rabiscar qualquer coisa no meu caderno, a Pilar adormeceu até o sol já estar a queimar demasiado a sua pele de branca de neve.

Ao aproximar-se a hora de ir apanhar o autocarro caminhámos com calma monte acima e esperámos pelo autocarro, que demorou mais duas horas do que era esperado para chegar a Zagreb (não é aconselhável fazer a viagem de volta de Plitvice a um domingo à tarde…).

Atrasos e imprevistos à parte, que foram uma constante nesta viagem, valeu a pena cada segundo e cada experiência inesperada!

Ficam especialmente guardados na memória um fim de tarde, que acabou noite dentro, com três “aussies” e as suas pipocas. Eram o nosso oposto e partilharam aspetos das suas vidas dos quais não estavamos à espera e que nos chocaram e marcaram, a simplicidade e a espontaniedade de quem não tem muito mas dá tudo o que tem. Fica ainda a primeira impressão dos lagos e o encontro imediato com algo que os nossos olhos nunca tinham visto, uma imagem de harmonia perfeita.

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