Crepúsculo

“Ah, Principezinho! Assim, aos poucos, fui ficando a conhecer a tua melancólica vidinha! Durante muito tempo, a tua única distração foi a beleza dos crepúsculos. Fiquei a sabê-lo na manhã do quarto dia”O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry


 

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Primeiro sunset em Liubliana


 

Lembro-me de ser pequena e estar na praia, em Sesimbra, com os meus pais e só sair quando o sol desaparecesse, o frio chegasse e as pessoas fugissem. Parecia que todos fugiam menos nós. Lembro-me perfeitamente de ver o sol na linha do horizonte e de pensar para comigo onde seria que ele ia, se se escondia atrás do mar à espera do dia seguinte, se caía num precipício infinito ou se gostava de viajar e ia para outro sítio. Porque mais tarde, na escola, aprendi que o sol depois de desaparecer do nosso céu vai dar luz ao próximo lugar, à próxima aldeia, à próxima menina e à sua família.

Por isso deixava-o ir e até ficava contente porque sabia que mais cedo ou mais tarde iria voltar. Hoje em dia e muitos pores do sol depois continuo a apaixonar-me por cada um deles, porque, na verdade, não existem dois pores do sol iguais, cada um deles tem as suas cores, a sua beleza, o seu tempo e a sua singularidade.

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Pergunto-me se noutras partes do Mundo serão tão mais diferentes, se terão outras cores, outros cheiros, outras companhias, outros reflexos, outra MAGIA. Sim, porque um pôr do sol é claramente mágico... Ora vejamos!

Mesmo agora que já sou “adulta” (apesar de ainda me ver como uma criança genuína) continuo a perguntar-me qual será a primeira cara a ser tocada pelo sol, a primeira avó madrugadora a acordar com ele, o primeiro galo a cantar assim que vê o mais pequeno dos raios, a primeira avenida a encher-se de luz ou então se simplesmente fica ali, escondido por trás do mar, esperando que as ondas não o incomodem muito e o deixem descansar até à próxima manhã.

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Espero que um dia me deixe ir com ele… ver os próximos nasceres e pores do sol, um atrás do outro, tal como podia fazer o Pricipezinho no seu Asteróide que, de tão pequeno que era, só precisava de mudar a cadeira de sítio uns centímetros e conseguia ver o nascer e o pôr do sol sempre que quisesse, até houve um dia que o viu 43 vezes, que sortudo. E o Principezinho ainda nos diz mais, ou diz à sua raposa, que quando estamos tristes devemos ver o pôr do sol, que ficamos a sentir-nos melhor. Se calhar é verdade.

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Tenho o sonho de, um dia, ver um pôr do sol em cada continente, mas mesmo VER o pôr do sol, não basta estar na cidade com o sol a pôr-se. Ver o pôr do sol, o finalizar de um dia, o dar as boas vindas à noite em eterna contemplação deve ser diferente se estivermos num continente, país, cidade, aldeia, latitude diferentes… pelo menos é assim que o imagino! Espero mesmo que a vida me permita fazer isso e que eu seja capaz de me sentir grata por essas oportunidades, tal como me sinto grata neste preciso momento enquanto escrevo isto, na Croácia, rodeada de árvores de todas as cores, de um céu azul incrível e de um lago com um tom de azul ainda mais impressionante que o do céu.

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